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O Leiturinhas é um dos blogs populares de literatura da internet brasileira, sempre com resenhas de qualidade, informações, sorteios e promoções. A blogueira Lívia Martins (@vanillaprozac) é responsável pelo espaço e respondeu a algumas de nossas perguntas em uma entrevista muito interessante.

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Quando decidiu criar o Leiturinhas? E por quê? Por que resolveu criar um blog voltado para literatura?
R: Eu já tinha um blog, naquele estilo "de tudo um pouco", e eu postava muito sobre os livros que eu lia. Então eu percebi que estava postando mais sobre isso do que qualquer outro assunto. Como já percebia que há algum tempo a "blogosfera" andava se "especializando" em determinados assuntos, achei que era o momento de focar em algo que eu gostava.

Como foi o início de sua jornada como blogueira?  Quais foram as principais dificuldades de divulgação? E como faz para estar sempre produzindo conteúdo?
R: No começo, não pensava em ter um público grande, nem parcerias, nem nada disso. Queria escrever e pensava em criar um conteúdo que eu gostasse de ler. A ideia era, assim como em outros blogs que tive, me divertir. Se, dessa forma, outras pessoas gostassem, isso seria um plus. Também nunca pensei no blog como obrigação. Prefiro ficar uma semana sem postar do que postar qualquer tapa buraco. A parte de divulgação foi a mais "fácil". O twitter ajuda muito, assim como as promoções. Elas funcionam como um canal de divulgação do blog e das editoras. 

Por que acha que o Leiturinhas foi tão bem recebido pelo público e tem, hoje, lugar entre os blogs literários mais populares na internet, principalmente entre o público jovem e jovem adulto?
R: Eu acredito que isso se deva à despretensão. Nunca vi o Leiturinhas como um 'blog popular" e nunca deixei que isso me cegasse. Continuo vendo o blog como algo que uso para me divertir. Por causa dele, conheci várias pessoas que, de outra forma, não teria conhecido. Não tenho 4 mil seguidores no blog, mas os que tenho são fieis, e comentam sempre. Não tenho uma média diária de comentários que possamos dizer que o blog está "bombando", mas o público é sempre muito carinhoso nos comentários e isso sim é importante. É para esse público que eu corro atrás para fazer promoções, para pedir ajuda aos meus colunistas. Aliás, ter colunistas foi uma forma de poder focar em outros conteúdos e não deixar os leitores "na mão".

O que pensa sobre o boom dos blogs literários? Acha que todos têm qualidade?
R: Não, não têm. E como leitora, ouso dizer que muitos blogs "grandes" não têm, ao passo que alguns blogs menores, mais recentes, fazem um trabalho muito mais caprichado. Escrever é um talento. Mesmo escrever resenhas. Um layout bonito e organizado faz diferença. Assim como uma boa dose de simpatia e interação com o público e com as editoras, mas isso não faz com que suas resenhas sejam boas, interessantes e, mais ainda, sinceras. 

Vejo muitas resenhas lá no Leiturinhas, a maioria com uma boa capacidade crítica, apontando, sem medo, as falhas nos livros (coisa que vejo poucos blogueiros fazerem). Quantas obras você costuma ler por ano? E quais as características, para você, de uma boa resenha?
R: Ano passado eu li mais de 80 livros. Esse ano, estou trabalhando mais - e tentando dormir mais - e estou com apenas 40 e poucos, até agora. Sei que muita gente pode discordar, mas, a meu ver, uma boa resenha, em blog, é aquela cujo autor é parcial. Porque eu não sou crítica literária. Eu não sou formada em letras e nem sou uma pessoa da área editorial. Então, como raios eu posso querer me arriscar a fazer uma resenha técnica? Não posso. Eu posso dizer, como leitora, que lê por entretenimento, o que achou de um livro. Quando faço uma resenha, penso em dizer o que gostei, o que não gostei, porque gostei ou não (isso é fundamental), e todos os elementos que me causaram alguma opinião: tradução, diagramação, revisão, capa, escolha do papel... Enfim, quando é algo que não chama atenção - positiva ou negativa - eu nem comento. Quando é o caso, eu acho legal falar sim. 

Quais os seus autores e livros favoritos?
R: Eu gosto de muita gente, mas sou uma eterna apaixonada por Salinger e Saramago. Costumo dizer que julgo o caráter das pessoas por ter lido (independente de gostar) ou não esses dois autores. Dos autores mais novos, eu não posso deixar de citar o Eduardo Spohr, que para nosso orgulho, é brasileiro. A escrita dele tem uma qualidade que ultimamente não tenho visto por aí, e não estou falando só de escritores brasileiros. Ele é detalhista, mas, sem exageros, e tem um vocabulário variado, rico e desafiador. E no campo do YA, eu posso citar a Richelle Mead, que escreve livros sobrenaturais para jovens adultos e adultos. Ela consegue criar personagens com personalidades fortes e independentes, muito diferente do que a maioria das escritoras de YA que prezam pelas protagonistas incapazes, dependentes e sem noção do perigo.